quinta-feira, 29 de agosto de 2013

RELATO DE EXPERIÊNCIA



Comecei a trabalhar com crianças especiais em 1990 na escola Marechal Rondon fazendo substituições, em 1991 foi convidada para fazer substituições na APAE a qual eu trabalhei 20 anos com crianças de varias patologias e graus diferentes. Posso dizer que a maioria das pessoas não imagina o quanto podemos aprender com estas crianças, às vezes estamos tão presos a perfeição das formas físicas e aos aspectos materiais que esquecemos de observar a riqueza oculta na sua essência. Eu tive a felicidade de trabalhar com crianças autistas dentre elas me apaixonei por um aluno que me ensinou muito a maneira de ver o mundo de outra forma. Aprender que a alegria de viver, a força interior, a determinação, a vontade de ser feliz e a capacidade de adaptação são mais evidentes nessas crianças do que nos ditos “normais”. Todos os obstáculos vencidos na busca da realização de um objetivo eram demonstrados através de explosões de alegrias e felicidade. A criança com necessidades especiais principalmente autistas apesar de viver num mundo desconhecido por nós tem e sente as mesmas sensações que nos temos. As crianças com deficiências auditiva as quais também trabalhei apesar de não ter conhecimento com libras, costumam adorar dançar, por exemplo: Sente o som e acompanha o ritmo da musica pela vibração do chão. Além disso, ainda são capazes de participar de coreografia de danças folclórica, como se estivesse ouvindo perfeitamente o som da musica. Já as crianças com síndrome de down amam fazer apresentações em públicos participando de peças teatrais. Eles se dedicam muito nos ensaios para realizar um trabalho quase profissional representando com  grande emoção e expressão de verdadeiros artistas. As crianças com necessidades físicas (paralisia cerebral), maioria cadeirante, são capazes de participar de competição esportiva adaptada as suas condições físicas. Eles aprendem as regres com muita facilidade e buscam se aprimorar no desempenho das atividades com muita garra e determinação. Recordo-me neste momento do aluno Fernando totalmente dependente de ajuda para superar suas necessidades físicas mesmo assim participava de todas as atividades da aula sempre se destacando nas competições de pipas. Essas pessoas pode nos ensinar lições valiosas como respeito, dignidade, força, determinação. Perseverança, compreensão, compaixão gratidão e principalmente amor. Infelizmente uma grande parte da sociedade prefere evitar um convívio mais próximo como pessoas com necessidades especiais. Na verdade essa falta de um contato mais direto seja medo do desconhecido, desinteresse ou indiferença impede o aumento dos ganhos recíprocos e da mútua aprendizagem que esses relacionamentos podem oferecer. Acredito que um dos principais papéis dos portadores de necessidades especiais é o de nos ensinar a enxergar de verdade e a valorizar o conteúdo e não apenas a forma. Eles são como as flores que mesmo nascendo e crescendo em vasos irregulares, conseguem nos presentear com a beleza de cores e o aroma de seu perfume.


Naviraí-MS, 26 de Agosto de 2013

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Resultado da avaliação parcial do projeto

No dia 13/08/2013, foi entregue um questionário com 5 questões fechadas para que os participantes avaliassem o projeto em curso. Alguns responderam no dia; outros, preferiram entregar no encontro subsequente de 27/08/2013. Foram entregues cerca de 20 questionários, mas, até o momento, apenas 14 foram devolvidos. Os resultados parciais seguem abaixo:


cerca de 64% dos participantes consideram que o projeto contribui muito para sua formação e atuação profissional;

cerca de 36% consideram que o projeto contribui para sua formação;

cerca de 71% consideram que o projeto atende a suas expectativas quanto textos, recursos e metodologia empregados;

cerca de 29% consideram que o projeto supera suas expectativas quanto textos, recursos e metodologia empregados;

cerca de 7% consideram que o projeto atende parcialmente suas expectativas;

cerca de 71% consideram ÓTIMO o trabalho realizado no projeto, tendo em vista a atuação do coordenador e seu domínio teórico-metodológico da teoria apresentada, a Psicologia Histórico-Cultural;

cerca de 36% consideram  BOM  trabalho realizado no projeto, tendo em vista a atuação do coordenador e seu domínio teórico-metodológico da teoria apresentada, a Psicologia Histórico-Cultural;

cerca de 43% consideram ÓTIMO o horário, tempo de duração, local e cronograma geral dos encontros;

cerca de 57% consideram  BOM o horário, tempo de duração, local e cronograma geral dos encontros;





Fotos do 5º Encontro - Extensão


























Nota de Esclarecimento

Prezados participantes do projeto de extensão,


Por motivos técnicos, não foi possível postar as fotos do 4º  encontro, que, todavia, ocorreu normalmente e com discussões muito exitosas para o grupo. Discutimos o texto de Leontiev (1978).


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Deficiência intelectual



Tudo começou há exatamente cinco anos, atrás, quando conheci o meu esposo Jarbas. Começamos a namorar e ele começou a falar sobre sua família, é ele me disse que tinha um irmão de 37 anos, com deficiência intelectual. Ele comentou comigo que Paulo, tem a mente de uma criança de 12 anos, disse-me também que Paulo é seu irmão apenas por parte do pai. A mãe de Paulo faleceu e ele veio morar com eles.
Em certo dia conheci Paulo um homem, mas com a mente de criança. Ele gosta muito de brinquedos, é carinhoso, conversa pouco, gosta de ir à igreja. Ele também vai a APAE de Naviraí. no período vespertino.
Eu e o Paulo conversamos e brincamos muito. Aprendi muitas coisas com ele. Ele só fica nervoso quando não toma o remédio, mais é um garoto doce e amigo. Mas ele disse que tem vontade de morar em São Paulo novamente com as outras irmãs. Mas elas não querem que ele more mais lá.

Pois apesar de ser uma pessoa boa Paulo precisa de cuidados, carinho, dedicação e atenção e segundo elas devido ao serviço não podem cuidar dele. Mas apesar de tudo ele é feliz e isso é motivo de felicidade para nós.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Memorial


             Eu trabalho com criança desde 2007. Sempre gostei de trabalhar com grupos de criança, mas nunca quis ser professora, porque eu achava que o modelo que eu concebia de professor não era aquilo que eu queria ser. Eu queria ser diferente. E com o tempo eu fui vendo que eu poderia vir a ser professora. Talvez uma professora um pouco diferente do comum. Será? E aqui estou estudando para ser uma.
            Não tenho tantas experiências a respeito de deficiência, mas posso dizer que é muito gratificante poder falar sobre este assunto.
Durante trinta e dois anos convivo com minha tia que teve paralisia infantil, e sempre esteve presente em todos os momentos da minha vida, ou em quase todos, para mim ela é uma eterna criança, adora presentes principalmente bonecas e também sozinha costura as próprias roupinhas, cresci vendo ficar horas e até perder o sono brincando, e até hoje isso acontece, ela não ouve,não fala,anda com  dificuldade,sempre com a ajuda de minha mãe,e minha outra tia,que juntas cuidam  dela. Margarida, este é seu nome, pessoa carinhosa, feliz, mesmo com suas dificuldades, adora criança principalmente as pequenas,acho que ela se identifica,pois com elas pode brincar.
           Lembro-me de um menino com deficiência física, trabalhei três anos em sua casa, Yago, hoje ele esta com 18 anos, um menino esperto muito inteligente,era um exemplo na escola,apesar de tantas limitações,mas com a ajuda de muitos ele esta ai,se superando.
            Fui funcionária pública durante cinco anos, tive o prazer de trabalhar em três escolas de Campo Grande, sendo uma de tempo integral, onde era responsável pela pré-escola, no cargo de Auxiliar de serviços diversos,tendo oportunidades de acompanhar várias crianças com diversos tipos de deficiência,auxiliando as idas ao banheiro,ou monitorando na hora do intervalo para  que nada acontecesse à elas. Mas infelizmente a oportunidade de conhecê-las melhor, não aconteceu, apesar de sempre me procurarem para ficar perto delas, não sei como mas, eu as entendia, conheci as famílias, e pude perceber que eram unidas e bastante presentes na vida daquelas crianças,  isso é muito importante,para que seu desenvolvimento aconteça.
            Não tinha nenhum conhecimento de como lidar com crianças com necessidades especiais, tive muitas dificuldades, mas ao mesmo tempo foi um desafio.
            E ainda continua sendo, hoje trabalho em uma biblioteca pública acompanhando de uma cadeirante, escritora, faz Graduação em Letras também na Unigran EAD,e hoje esta trabalhando em um projeto Literário,ela teve paralisia infantil,uma pessoa muito inteligente e difícil de lidar em certos momentos,mas nada que o tempo não me ensine.
            Eu acredito em uma educação para todos, e com um ensino especializado, mas não se consegue implantar uma opção de inserção tão revolucionária sem enfrentar um desafio ainda maior, o que recai sobre o fator humano. Os recursos físicos e os meios materiais para a efetivação de um processo escolar de qualidade cedem sua prioridade ao desenvolvimento de novas atitudes e formas de interação, na escola, exigindo mudanças no relacionamento pessoal e social e na maneira de se efetivar os processos de ensino e aprendizagem. Por isso é necessário, a formação do pessoal envolvido com a educação,nesse caso sendo de  fundamental importância, assim como a assistência às famílias, enfim, uma sustentação aos que estarão diretamente implicados com as mudanças, é condição necessária para que estas não sejam impostas, mas imponham-se como resultado de uma consciência cada vez mais evoluída de educação e de desenvolvimento humano.

            Sendo assim venho novamente ressaltar que foi um desafio, continua sendo, e que cada dia mais estarei me preparando para novas experiências,que venham sempre me satisfazer,e me proporcionar alegrias,que foram e serão muito importantes para mim,e guardarei sempre em minha memória.

Relato de experiência


Falar de “deficiência intelectual” há alguns anos me deixava triste, confesso que hoje ainda tento entender. Tenho um sobrinho que inclusive começou a morar conosco com apenas três anos de idade, percebi que ele era mais lento para aprender as coisas, se comparado com as demais crianças de sua idade, lento em todos os sentidos, demorou andar, demorou falar e compreender o que falávamos com ele. Minha mãe levou ao médico, e o médico disse que era normal cada criança tinha seu próprio ritmo e que existia criança um pouco mais lenta no aprendizado.
João Vitor crescia e logo começou a frequentar o CIEI na Educação Infantil, em casa não sabíamos lidar com ele, a escola também não. Sabíamos que a mãe dele também quando criança era como ele, teve muitas dificuldades. Então começou uma luta constante para o seu aprendizado em casa e na escolar. Ele passou a frequentar a Psicóloga, Neuropediatra, Fono, mas em sala não consegue acompanhar seus amigos da classe.
Ele estudou dois anos seguidos o 1° ano, por não conseguir acompanhar os demais, já é repetente varias vezes no 2° ano. Hoje ele estuda o 2° do Ensino Fundamental no período da manhã, estuda no período vespertino, duas horas, três vezes na semana, no reforço e tem 12 anos de idade, recentemente após relatório da Psicóloga, o Neuro receitou medicamento controlado.
Ele saiu da garatuja, escreve seu nome, reconhece as letras do alfabeto, os números, mas não consegue ler.

Fiz Pós em Educação Especial para compreender melhor o que acontecia com ele e então poder ajudá-lo, esse curso que iniciei penso que me dará algumas coordenadas tanto em sala de aula, pois sou professora, como em casa para ajudar o meu sobrinho amado João Vitor. Ele mora com minha mãe em outra cidade, mas constantemente vou visitá-los. 

PROJETO DE EXTENSÃO UFMS 2013

Meu primeiro contato com uma pessoa com deficiência foi a mais ou menos oito anos quando me mudei para a cidade de Itaquiraí onde resido ate hoje.
Meus vizinhos tinham um filho com Síndrome de Down, estavam passando em frente a minha casa, quando notei que não se tratava de uma criança comum, não só pela deficiência, mas também pelo amor e carinho que os pais o dedicavam.
Amor que também o prendia e o sufocava não nego que fiquei com medo de principio, pois ele agia de forma agressiva, pois começava a correr e o pai na tentativa de segurar-lo, corria e o pegava pelo braço, era quando ele começava a se debater e a tentar agredir, penso que de forma a querer se soltar e correr livremente.
Com o tempo pude entender o motivo, era proteção de mais daqueles pais em relação ao filho, o medo de que a sociedade o maltratasse pela sua deficiência, e então estando na presença de outras pessoas não sabia como agir.
Super proteção que de certo modo atrapalhou seu desenvolvimento diante a sociedade, prejudicando talvez uma vida ate certo ponto normal na maneira do possível, pois sua convivência era somente com os pais e familiares.
Então diante de tudo isso pude notar o amor e o carinho que passava nos olhos daquela criança, era tão doce e tão singelo a maneira com que olhava sua mãe, que me causou certo arrepio, por eu na ignorância ter tido medo de um ser tão indefeso e especial.
Hoje quando o vejo, agora um adolescente, ainda consigo notar aquele olhar de quando ainda era criança, a inocência nos seus gestos e sinto uma imensa admiração pela sua historia de vida e pela família que agora aprendeu a lidar de uma maneira melhor e a ajudar o filho fazendo com que aprenda a viver em sociedade.

E os pais entenderam depois de muita ajuda que seu filho poderia sim, trabalhar, estudar, e ter uma vida normal, claro que sabendo as limitações dele, assim como qualquer um neste nosso mundo.

Minha Primeira Experiência com um Deficiente Intelectual



Durante a minha vida tive uma infância repleta de emoções.Já a adolescência não foi muito proveitosa,pois aos dezesseis anos me casei.Foi nesta fase que conheci um deficiente intelectual,era um vizinho chamado Roberto que tinha Síndrome de Down,naquela época ele tinha em torno de 30 anos de idade,e frequentava a instituição da APAE há uns 2 anos.Muitas vezes pude presenciar algumas mudanças de comportamento dele,às vezes ele parecia mais uma criança de 5 anos que brincava muito com brinquedos como carrinhos,e também era muito carinhoso com as pessoas,mas também quando ele ficava triste se tornava uma pessoa agressiva,mas podíamos perceber que ele não tinha noção do que estava fazendo naquele momento,pois muitas vezes ele mesmo se agredia fisicamente.          Pude perceber que talvez se ele tivesse tido a oportunidade de um acompanhamento adequado desde a infância talvez sua vida tivesse sido diferente,possivelmente o seu comportamento seria quase idêntico ao de uma pessoa sem deficiência intelectual com 30 anos.Às vezes a super proteção dos pais,nesse tipo de caso,de achar que o filho nunca vai estar apto a viver na sociedade,se torna tão prejudicial para o deficiente intelectual,quanto para a família. Que não dá condições para o deficiente intelectual ser igual a qualquer outra pessoa em comum,priorizando-o de várias coisas.Acho que o preconceito às vezes começa no próprio ambiente familiar,de achar que aquele ser é diferente de todos.Mas não é bem assim apenas precisam de um acompanhamento um pouco mais rigoroso em relação as outras pessoas.  

MEMORIAL

                Desde pequena sempre estive inteirada sobre como o mundo é, sobre o que é certo e o que é errado, e sobre certos imprevistos pelos quais passamos durante a vida. Minha mãe sempre se preocupou em desde muito cedo me orientar, para que nada de mal pudesse me acontecer, e para que eu não tratasse mal a ninguém.
                Quando eu tinha uns oito anos, minha família mudou-se para um bairro central da cidade, onde conheci um menino, que era nosso vizinho, com algumas características diferentes das outras crianças, ele era alguns anos mais velho que eu e tinha Síndrome de Down. Fiz amizade com sua irmã, que era mais nova do que eu, e sempre brincávamos juntas.
                Devido a proximidade com essa amiguinha, tive também bastante contato com seu irmão, ele era uma pessoa alegre, vivia brincando o tempo todo, corria de um lado para o outro, gostava bastante de fingir que tinha uma arma para ficar atirando nos bandidos, fazia o barulho dos disparos com a boca, esse fato ocorria pois seu pai era policial. Ele também adorava carrinhos, tinha vários deles.
                Quanto à escola, ele frequentava a APAE, naquela época ainda não havia essa política de inclusão de crianças deficientes no ensino regular. Ele gostava de estudar, mas com o tempo foi cansando, acho que porque aprender é um processo muito árduo, principalmente para essas pessoas que possuem mais dificuldades. Tiraram-no da escola por um tempo, mas depois o convenceram a voltar.

                Bem, essa é minha história, meu contato não é tão profundo quanto como quem possui essas pessoas na família, mas deu para perceber que precisam de atenção e oportunidade, para poderem desenvolver suas habilidades e viver da forma mais tranquila e natural possível.

Memorial reflexivo sobre Educação Especial

            Na minha infância não convivi com crianças ou adultos que tivessem alguma deficiência e eram poucas as crianças especiais que frequentavam a escola como hoje acontece. Essas crianças geralmente frequentavam a APAE e até mesmo ficavam isolados em casa sem ter contato social.
            Já na minha adolescência me mudei e nesse lugar fiz amizade com um vizinho deficiente visual, estudávamos na mesma escola no período noturno, eu, meu irmão e nosso amigo voltávamos para casa juntos, ajudando a guia-ló, embora sua autonomia de andar sozinho pela cidade apenas batendo as mãos para ouvir os sons e assim perceber se estava perto da calçada ou no meio da rua. Às vezes nos perguntávamos se ele não enxergava nem um pouquinho, pois admirávamos sua independência.
            Meu amigo não se identifica muito com o braile, ele sempre preferia a leitura realizada por outra pessoa. Certa vez perguntei para ele qual era seu nível de cegueira, ele me respondeu que via apenas vultos com sua visão esquerda.
            A inclusão veio para tornar essas pessoas existentes e criou oportunidade de desenvolver habilidades que até mesmo a família não consegue enxergar nessas crianças. Ainda existem preconceito e discriminação em relação a pessoas especiais, porém a sociedade, as crianças estão mais conscientes de que todos são iguais mesmo nas diferenças. Diferentemente da sociedade de nossos pais que via essas pessoas apenas como seres incapazes de convívio social, pois a própria família na defensiva o excluía do mundo.
            Hoje por trabalhar em uma escola da rede municipal tenho mais contato com crianças de diversas dificuldades e posso observar que na minha época essas crianças não tinham acompanhamento e ficavam à mercê do descaso e da falta de capacitação profissional e estrutura para que os professores pudessem trabalhar. Vejo que hoje em dia a inclusão é mais divulgada e trabalhada, já melhorou bastante, meu amigo, por exemplo, se formou em direito pala uems e hoje estuda o curso de ciências sociais na ufms. Isso é um grande avanço que precisa continuar acontecendo.




MEMORIAL

Nasci em 18 de outubro de 1992, no Hospital e Maternidade Santa Ana, na cidade de Naviraí, onde passei uma parte de minha infância. Quando estava quase completando quatro anos de idade meus pais se separaram e minha mãe foi trabalhar em uma fazenda chamada, União Trento, no município de Itaquiraí, onde conheceu meu padrasto com quem teve dois filhos. Toda a infância sempre brinquei sozinha, sem muito contato com as outras crianças, pois sempre morei em lugares que não tinha a presença de nenhuma criança por perto. Moramos um ano no Paraguai em uma fazenda chamada Cari, lá conheci um homem que todos lá chamavam de mudinho e eu como era criança assim o também chamava, pouco me lembro dele, mas sei que ele trabalhava lá cuidado do pomar, passava todos os dias em frente de minha casa e me dava uma fruta, não sei como o agradecia, mas sei que assim fazia.
Minha avó paterna adquiriu a deficiência visual gradativamente, o fato de ela ter diabetes acabou desencadeando o surgimento de uma catarata esta que ocasionou a perda total de sua visão. Recordo-me que neste período eu saía com ela para todo canto, ia passear na casa de parentes, fazia compras e sempre passava minhas férias escolares em sua casa a qual eu amava. Ela sabia onde ficava cada pertence dela e cada móvel da casa, se alguém retirasse do lugar já sentia falta e ficava bem brava. Quando eu estava fazendo alguma travessura ela sempre descobria e sentia de longe quando alguém que ela conhecia estava se aproximando.
Minha trajetória escolar se iniciou antes mesmo de eu frequentar a escola, pois aprendi a ler e escrever em casa sob os ensinamentos de minha mãe. Entrei na primeira série aos sete anos, porque perdi um ano por falta de vaga. Na escola fui adiantada de série por sempre terminar primeiro que todos e ficar conversando com os colegas, a professora percebendo o fato logo comunicou a coordenadora sobre uma possível aceleração.
Cursei todo meu Ensino Fundamental e parte do Ensino Médio na Escola Estadual Prof. José Juarez Ribeiro de Oliveira, no município de Itaquiraí- MS. Estudava no período vespertino, ia todos os dias de ônibus, porque na época morava em uma fazenda que fica a cerca de 25 km da cidade, chamada de União Tsustida I. Neste período conheci um rapaz que estuda na escola chamado Rogério, ele era deficiente físico, andava com o auxílio de uma bicicleta equipada, eu o olhava com um sentimento de dó no início, tinha um certo receio de se aproximar dele, até que um dia percebi que apesar de sua deficiência ele era uma pessoa normal, sabia conversar, brincar com a gente. Até o período que permaneci na escola me lembro da presença dele por lá.
Ao final do ano de 2009, viemos morar novamente em Naviraí-MS, vim um pouco contrariada, pois queria terminar meu Ensino Médio na escola em que eu estudava, junto com meus colegas e professores que eu tanto amava, mas mesmo assim tive que vir. Chegando aqui logo fui atrás de cursos para me capacitar. Fui matriculada no período matutino na Escola Estadual Eurico Gaspar Dutra, minha turma tinha cerca de uns 50 alunos e era um aperto só. Não me recordo nesta época de nenhuma pessoa deficiente na sala nem na escola toda.
Por volta de Junho do mesmo ano fui informada sobre um processo para seletivo Jovem Aprendiz[1] que iria ter no SENAI, me inscrevi no curso de Assistente Administrativo e fui fazer a prova que continha conteúdos de conhecimentos em matemática, português e geral, por tirar uma boa nota e fui classificada para a próxima etapa que era a de entrevista e seleção nas empresas, a minha foi a JBS. Fui selecionada e iniciei as atividades tanto na empresa quanto no SENAI em 18 de Agosto de 2010. Por conta disso tive que passar a estudar o terceiro ano à noite e consequentemente sair do cursinho pré-vestibular. Na empresa conheci uma moça muito legal e simpática que era deficiente auditiva e sempre ia ao setor em que eu trabalhava conversar comigo, algumas coisas eu entendia por gestos e outras vezes ela escrevia no papel para eu ler.
No final do ano de 2010 fiz o ENEM e ingressei na UFMS/CPNV por meio do SISU, e nesta etapa a pessoa com deficiência com quem tive contato foi o Cido, discente do curso de Ciências Sociais do mesmo campus, de inicio fiquei meio curiosa sobre como ele fazia, e fui me admirando cada vez mais com ele a partir do momento que fui o conhecendo.
Hoje no curso superior sei um pouco mais sobre as deficiências, não o bastante, mas o necessário para saber que é preciso saber como agir diante das diversas situações que estão por surgir. Passei a ter conhecimento sobre as diversas formas de deficiência e síndromes existentes, algumas causas, características das mesmas e a partir daí passei a ter uma certeza, que como uma futura pedagoga é preciso que eu aprofunde cada vez mais meus conhecimentos sobre o assunto, pois somente a formação inicial não é suficiente para que se trabalhe com alunos com deficiências, tenho em mente que é preciso inovar nas práticas e explorar os diversos recursos disponibilizados para garantir o aprendizado destas crianças, que são como todas as outras, possui as mesmas capacidades e potencialidades e preciso de fato fazer acontecer a inclusão, não ficando somente no discurso e sim partir para a prática, buscando garantir que aconteça um ensino de qualidade e igual para todos levando em conta as especificidades de cada um.



[1] Trata-se de um programa governamental amparado pelas leis nº 10. 097/00 e 11.180/05 as mesmas determinam que empresas de médio e grande porte contratem jovens entre 14 e 24 anos, para capacitação profissional (prática e teórica), cumprindo as cotas que variam de 5% a 15% dependendo do número de funcionários efetivos qualificados na Empresa.

Memorial reflexivo sobre Educação Especial

Entre familiares vizinhos e até amigos eu tive pouca convivência com pessoas com algum tipo de necessidade especial, na minha infância, eu conheci uma menina, que morava no mesmo bairro que eu, que tinha deficiência mental, em que ela não conseguia desenvolver as capacidades intelectuais de acordo com a sua idade e eu me lembro que ela estudava na APAE e quando o ônibus parava sempre ia a minha casa para brincar ali com minhas amigas, mas a mãe dela não gostava muito e até evitava esse contato, porque mesmo ela sendo mais velha a mentalidade dela era de criança, assim dava a impressão que se ela estivesse dentro de casa longe do convívio social estava mais protegida.
Eu estudei em apenas duas escolas, o Ensino Fundamental na Escola Municipal Odercio de Matos, localizada perto da minha casa e o Ensino Médio na Escola Estadual Presidente Médici, era raro a matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais, os pais antigamente tinham receio em matricular seus filhos em escola regular, acredito que até hoje ainda exista essa dificuldade, tanto pelos pais, como também pela escola em oferecer condições de atendimentos especializados que atendam as necessidades dos alunos de forma a oferecer um ensino de qualidade.

 Mesmo a lei garantindo o acesso dos alunos ao ensino regular, as escolas em sua maioria não tem suporte para atender a demanda existente e, portanto não garante a permanência do aluno com necessidades educacionais na escola.

Memorial

 Inicialmente, oportuno salientar que não frequentei muito a creche, devido a isso não tenho lembranças se tive algum contato ou amizades com crianças com deficiência.
Mas em 1999 ingressei na primeira serie do Ensino Fundamental, na escola publica Marechal Rondon, nas series iniciais lembro-me de não ter nenhuma criança com deficiência, eram todos ditos “normais”, porém, na Quarta-serie em 2002, entrou um menino chamado Marcelo, que tinha deficiência intelectual e alguma deficiência que afetava seu sistema locomotor, não era paraplégico, mas não conseguia se locomover direito.
Acredito que para inseri-lo e fazer a sala se interagir a professora solicitava que algumas crianças o ajudassem com as matérias, sentando ao seu lado, e ajudasse na escrita, nunca era a mesma criança, lembro do afeto que todos tinha por ele. No entanto, eu nunca me aproximei, acho que tinha algum receio, por mais que eu quisesse, deveria ter algum tipo de (pré)conceito interiorizado em mim. Tenho lembranças dele no intervalo era o único momento que tínhamos algum contato, lembro do seu sorriso e dele brincando no pátio da escola, hoje tenho curiosidade em saber que rumo tomou sua vida.
Depois do Marcelo, lembro-me de ter duas meninas, as duas com deficiência que afetava o sistema locomotor, elas não eram da minha sala, nos víamos no intervalo. Tive uma melhor amiga de infância, ela era bem diferente de mim, se interagia com todos e ajudava, brincava com essas meninas, e como não nos desgrudávamos no intervalo eu comecei a ajudava e brincar também, mas nunca conseguia me dar 100%, após esse tempo não tive nenhum contato escolar ou não escolar com pessoas com deficiência, nem no Ensino Médio.

No ano de 2011, quando comecei o Ensino Superior, as meninas de minha sala elaboraram um projeto, Pintando a Cara e Soltando a Voz, resolvi fazer parte do grupo, iria auxiliar quando fossem para Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), foi quando comecei há estudar um pouco sobre o assunto da inclusão, deficiência, entre outros. Percebi que não era um preconceito, mas eu sentia mesmo dó e me emocionava e isso de certa forma me impedia de fazer algo.

Comecei a discordar da forma que estava sendo realizado o projeto, com as pessoas da APAE, não tinha nenhuma fundamentação teoria, as meninas chegavam  pintava o rosto deles, soltava musica e pronto, talvez fosse porque era o inicio do projeto, hoje espero ter mudado.


Após as aulas de Educação Especial, ministradas pelo Professor e Mestre Giovani Ferreira Bezerra, que tem um amplo currículo sobre as questões de educação especial e inclusiva, comecei a refletir sobre de que forma vem acontecendo o processo de inclusão em Naviraí e como se estabelece as relações desses deficientes “inclusos” perante uma sociedade exclusiva por falta de conhecimento e até mesmo preconceito. E o que seria uma inclusão digna?. Questões essas que pretendo responder ao longo das aulas e do curso de extensão.

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 AO FALAR DE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL TEM ALGO QUE MUITAS VEZES NOS DEIXA SEM EXPLICAÇÃO PORQUE,NÓS PERGUNTAMOS PORQUE ISSO ESTA ACONTECENDO NA MINHA FAMÍLIA.
EU TENHO UM IRMÃO COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL QUE POR FALTA DE CONHECIMENTO NOS NÃO SABÍAMOS COMO LIDAR COM ESSA SITUAÇÃO POIS NA ÉPOCA OS CENTROS DE ATENDIMENTOS ATENDIA SÓ CRIANÇAS COM CASOS BEM COMPLICADOS .
AO LONGO DO TEMPO OS CENTROS MELHORARAM OS ATENDIMENTOS E FICAMOS MUITOS GRATOS PELA PREPARAÇÃO DESSES CENTROS E PELAS PESSOAS QUE ALI TRABALHA, POIS NAS VISITAS QUE JÁ FIZ A ESSES CENTROS DE ATENDIMENTOS  PERCEBI QUE REALMENTE QUEM ALI TRABALHA É  PORQUE GOSTA DO QUE FAZ. MINHA FAMÍLIA SEMPRE DEU APOIO A MEU IRMÃO E APRENDEMOS A LIDAR COM OS PROBLEMAS INTELECTUAIS QUE LHE APRESENTAM, APESAR DE SEMPRE TOMAR SEUS REMÉDIOS CONTROLADOS ELE TEM TRINTA E QUATRO ANOS E PARTICIPA DE CENTROS ESPECIALIZADOS ATÉ HOJE E TEM APRESENTADOS AVANÇOS TANTO NO CONVÍVIO PESSOAL QUANTO EM GRUPO PARTICIPA DE GRUPOS RELIGIOSOS PARA MELHORAR SEU DESEMPENHO.


Eu tinha por volta de 6 anos quando a família mudou-se para a mesma rua, era uma família grande de 10 irmãos, uma escadinha e entre eles o caçula de 7 anos por nome João parecia ser diferente dos demais. Sua mãe uma mulher muito trabalhadeira tinha em si a culpa pelo problema do filho, ela demonstrava muito carinho por ele, acho até que era a única que compreendia sua situação e aceitava de forma natural.
Para nós, crianças que brincávamos por ali com os outros irmãos não entendíamos o que havia de “errado” com ele tinha,  minha irmã e eu  tinha apenas muito medo e nem chegávamos perto, já por conselho de nossa mãe.
O João apresentava um problema físico e mental, não falava, e tinha acabado de aprender a andar, ele era muito irritado e eu nem chegava perto. Todos da rua conheciam ele como “retardado” ou com algum defeito, pior ainda é que acreditavam que por sua ter tido tantos filhos é claro que um sairia “assim”.
Alguns anos depois não sei quantos. O João começou a freqüentar a “escola especial”, nessa época ele já falava porem sem nexo , não sabia o que estava dizendo e mexia com todos da rua.
Hoje permaneço na mesma rua e ele também, infelizmente sua mãe faleceu a muitos anos, ele me parece triste e desorientado, ainda freqüenta a “escola especial”, e uma irmã é responsável por seus cuidados. É muito triste pensar  na falta de conhecimento que tínhamos na época




 

MEMORIAL

            Lembro-me quando mudei de casa. Não gostei o que era natural, pois deixara no endereço antigo, muitos amigos na vizinhança.
            O tempo passou e surpreendentemente no novo endereço a nossa rua era muito animada, pois havia muitas crianças e a grande maioria da mesma idade. Era tempo em que os carros eram raros (a cidade ainda era pequena), e o lugar preferido para nossas brincadeiras era a rua.
            Como a maioria das crianças da rua estudava no período matutino, assim que chegávamos da escola, almoçávamos, ajudávamos nos afazeres domésticos e tarefas escolares (os irmãos mais velhos ajudavam aos mais novos) e o restante da tarde... A rua que nos aguardasse.
            Brincávamos de queimada, pique - esconde, e é claro, nossa brincadeira favorita: Bets.
            Eu particularmente fiz amizade com uma menina muito bonita e carinhosa que embora demorasse a entender os jogos de cartas (pife, rouba-monte), de memória, era expert na Bets. Éramos uma dupla infalível.
            Certo dia peguei minha mãe conversando com a mãe de minha amiga e nessa conversa falavam das dificuldades que ela tinha na escola e os remédios que sempre tomava.
            Naquela época não compreendi muita coisa, a verdade é que não estava preocupada com isso. Gostava dela e isso é que importava. Só me lembro de ter perguntado à minha mãe se ela estava doente já que estava tomando remédios. Minha explicou que há pessoas que mesmo não estando doente precisam tomar remédios. Foi assim, desta forma singela que ela me explicou. E bastou para mim.
            A vida continuou. Nós duas crescemos, nos mudamos e cada uma seguiu sua vida.
            Sei por informações de sua mãe, que atualmente mora em outro Estado, está casada e constituiu família.

            Hoje sei que tive o privilégio de conviver com uma pessoa com deficiência intelectual, que além de muito querida ajudou a escrever a linha do tempo da minha vida.

Memorial Reflexivo sobre a Educação Especial

Ao refletir sobre minha vida, percebo que não tive muitas experiências e contato com pessoas com deficiência. Elas sempre estiveram distantes de mim, pois na minha família e na comunidade onde vivia não ouvia falar sobre pessoas que tivessem algum tipo de deficiência. Posso dizer que o único contato que tive diretamente até esse momento foi com meu colega do 3° ano do ensino médio Fábio Misael no ano de 2006.
Lembro-me dele com muito carinho, pois ele era bastante esforçado nos estudos, vivia em um abrigo, muito carente, mas sempre carinhoso e atencioso com todos. Fábio tinha uma deficiência física, mas na época não entendia bem o que ele tinha. Ele se sentava sozinho no canto da sala, e ali acompanhava as aulas. Ele tinha dificuldade de pronunciar as palavras, gaguejava bastante, tinha dificuldades nos movimentos e por vezes ele era motivo de piadas na sala. Não havia ninguém para ajudá-lo, quando precisava, éramos quem o ajudava. Ele era muito esperto, participava das aulas e suas notas não deixavam a desejar.
No fim daquele ano, fizemos uma cesta para ele com vários produtos de higiene, perfume e roupas. Ele havia passado de ano, participou da formatura, mas todo ano ele voltava para o 1° ano do Ensino médio, não entendia o porquê que isso acontecia, pois nós avançáva-mos nos estudos e o Fábio voltava novamente para o início. Depois daquele ano, me mudei para outra cidade, e não tive mais notícias dele.
Através da disciplina de Educação Especial do curso de Pedagogia, ministrada pelo professor Giovani, que pude ter uma visão mais aprofundada em relação às pessoas com deficiência. Sobre os vários tipos de deficiências, como se deu o nascimento da educação especial, todo o contexto histórico, as políticas que tratam sobre, e todas as discussões e debates referentes à inclusão dessas pessoas no âmbito escolar e na comunidade, e a forma como estas tem sido tratadas, e se de fato essas políticas tem se efetivado na prática.
Passei a entender, que por muito tempo os deficientes foram esquecidos, abandonados e muitas vezes eliminados, estando à margem dos grupos sociais. Segundo Neres (2006, p.11) aquele indivíduo portador de algum tipo de deficiência, acabava por tornar-se um empecilho, um peso que devia ser abandonado e relegado à própria sorte. Essa realidade esteve presente em várias sociedades antigas.
 As mudanças ocorrem diante das novas formas de produção, das organizações sociais, das lutas pelos direitos dos homens, que levam também a questionar sobre os direitos das pessoas com deficiência. O avanço da ciência trouxe novos olhares a essas pessoas, passando a explicar suas causas de forma natural, e não mais por interferência divina.
Com o tempo, coube ao Estado assumir a responsabilidade de suprir e dar assistência aos mais carentes. A educação especial nasce com o intuito de instruir as pessoas com deficiências, a fim de torná-las hábeis ao trabalho. Através do surgimento de leis que fundamentam os direitos dos trabalhadores, nascem também políticas voltadas a atender as necessidades dos deficientes.
A década de 90 foi marcada por várias políticas e leis que se pautavam, em defesa de uma educação inclusiva, onde os direitos dos deficientes fossem assegurados. No capítulo V da Lei n°9.394/96, em especial nos artigos 58 e 59, asseguram aos educandos com deficiências o acesso ao ensino regular de ensino, a oferta de serviços de apoio, que visem suprir as necessidades dos alunos com transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
É dever do Estado fazer valer esses direitos,dando suporte necessário para um bom atendimento. Mas se atentarmos as políticas voltadas para a educação especial, compreendemos que essas metas estão longe de se efetivar em nosso país, muitos em traves e discussões acabam por desacelerar o andamento desse processo. Incluir vai além de simplesmente inserir o aluno especial a escola comum, é proporcionar ações que visem superar dificuldades, trazer um conhecimento significativo de igual modo a todos, não admitindo as práticas discriminatórias dentro do contexto escolar, que perpassam toda a nossa sociedade.
Oferecer um atendimento especializado que supra as necessidades é um direito e está determinado nas Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na educação básica, como prevê a resolução CNE/CEB n°2, de 11 de Setembro de 2001, em seu artigo 1° parágrafo único, onde estes receberão o atendimento desde a educação infantil, nas creches e pré-escolas assegurando-lhes os serviços necessários, o atendimento Educacional Especializado. Assim, ao conhecer os documentos norteadores saímos da ignorância, passamos a enxergar o outro e a respeitá-lo.
O AEE vem para atender a essas pessoas, proporcionando um atendimento especializado complementar ou suplementar a classe comum. Esse atendimento ocorre em um horário oposto ao da escolarização, onde ali os mesmos conteúdos são trabalhados. Esse ambiente é resultado das muitas lutas em prol da melhoria do ensino e da inclusão das pessoas com deficiência. Ali os alunos aprendem as duas línguas, tanto à língua de Sinais-Libras, quanto à língua da comunidade, a língua portuguesa. Essa abordagem bilíngüe está pautada no decreto 5.626, de 5 de Dezembro de 2005, no qual garante mais esse direito na formação, onde o acesso desses conhecimentos devem se dar de forma simultânea no espaço escolar.
Ao fazer essa breve análise sobre o contexto histórico e a observação de algumas leis, compreendo que há muito a ser feito. Quando me recordo do meu colega Fábio Misael, entendo que ele não recebeu o atendimento necessário, e a escola não tinha preparo para recebê-lo, pois era ele quem deveria se adequar aos padrões e estruturas da escola. Essa negligência no atendimento, somente contribui para a marginalização, excluindo-os do convívio social. A inclusão não pode ficar somente nos papéis e documentos, é preciso repensar as práticas pedagógicas, superar os desafios, lutar em prol de uma educação de qualidade para essas pessoas. É preciso pensar uma escola onde todos tenham o direito de compartilhar do mesmo espaço sem segregação de qualquer natureza.

  
Referências Bibliográficas:

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n°9394/69, de 20/12/96. Brasília, 1996.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília: MEC/SEESP, 2001.

BRASIL. Decreto5. 626, de 5 dez.2005. Casa Civil. Brasília, 2005.

NERES, C.C. Considerações acerca da História da escolarização dos alunos com necessidades especiais. In: NERES, Celi Corrêa; LANCILLOTTI, Samira Saad Pulchério. Educação especial em foco: Questões Contemporâneas. Campo Grande: Ed.UNIDERP, 2006.


MEMORIAL AUTOBIOGRÁFICO - 1° ATIVIDADE DO PROJETO DE EXTENSÃO DE PSICOLOGIA HISTÓRICO CULTURAL E A TENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: POSSIBILIDADES TEÓRICO-METODOLÓGICAS A PRÁXIS PEDAGÓGICA

Memorial autobiográfico, referente à primeira atividade do Projeto de extensão de Psicologia Histórico Cultural e Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Intelectual: possibilidades teórico-metodológicas a práxis pedagógica, sobre orientação do Professor Mestre Giovani Ferreira Bezerra, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, campus de Naviraí.
Neste rumo, iniciarei contando minhas experiências e conhecimentos sobre meus contatos com pessoas com algum tipo de deficiência, em especial deficiência intelectual, minhas vivências com pessoas com algum tipo de deficiência são poucas, tendo em vista que época em que eu cursava a educação básica, não se falava ainda em inclusão na escola comum.
Meu primeiro contato com uma pessoa com deficiência, aconteceu com o tio de uma amiga minha, por volta dos meus 7 anos de idade, me recordo que  fui a casa desse homem acompanhada com  minha amiga e a mãe dela, que todos os dias ia até esta casa para fazer a limpeza e a comida, pois o  irmão dela que morava com a pessoa com deficiência trabalhava o dia todo, assim para ele não ficar sozinho me recordo que uma vizinha era responsável por o olhar enquanto um dos irmãos responsáveis por ele  não chegavam, me lembro que quando o vi, fiquei com medo, depois de conversar com  minha que me explicou que era necessário ter medo, comecei a mudar minha visão de criança, hoje já adulta o vi  e conversando com a sobrinha e a irmã dele e analisando a partir dos conhecimentos vivenciados na disciplina de educação especial e o curso de extensão, percebi que ele possui deficiências múltiplas, nesse caso ele possui deficiência intelectual, física, na fala e também na audição, perguntei se ele já freqüentou algum atendimento especializado e a irmã me respondeu que não, fez apenas alguns tratamentos médicos, mas que ela não viu avanços em seu irmão.
Minha segunda experiência com pessoas com deficiência aconteceu em minha escola do ensino fundamental, com um aluno que havia perdido a fala quando mais novo, na época ninguém nos apresentou, apenas o colocaram no fundo da sala, me lembro que ele era um menino muito inteligente, escrevia muito, fazia muitas anotações das atividades propostas, não tenho conhecimento se existia alguma possibilidade dele recuperar a fala, mais existia a possibilidade da perda da audição, nessa época esse aluno começou a fazer uso de aparelhos auditivos, por muitas vezes ele parecia incomodado, e alguns alunos começaram a chamá-lo de surdinho, minha professora parecia não se importar, ignorando por muitas vezes essas situações constrangedoras.

Apesar de minhas experiências serem poucas e bem remotas, acredito que podem ser muito importantes para minha formação como futura profissional da educação, a disciplina de educação especial e o projeto de extensão apresentam diversas formas de trabalho e de contato com pessoas com deficiência, importante registrar que a inclusão escolar se faz muito importante desde que explorada de forma significativa para as pessoas com deficiência.

Memorial

            Quando eu era criança desconhecia a existência de outras crianças portadora deficientes, certo dia minha mãe foi visitar sua comadre que estava doente, e me levou chagando lá fui brincar com outras crianças, a menina que morava naquela residência foi si esconder num quarto  do corredor. Eu me aproximei do quarto e chamava a menina, neste momento ouvi um resmungado e continuei procurando logo que entrei me deparei com uma jovem que não falava direito estava deitada com uns travesseiros bem auto, pois babava. Fiquei muito assustada minha voz não saia e nem consegui correr, fiquei com os olhos arregalados, no momento achava que era alguém tinha morrido e estava ali guardada, o desespero foi gigante, pois eu era criança meus pais nunca tinham falado sobre o assunto.
            Comecei a chorar a menina também, ela queria me tocar eu simplesmente não aceitava o toque dela em mim, a mãe dela foi ver o que acontecia ficou muito brava, lembro que ela dizia ninguém deveria entrar naquele quarto, muito menos crianças, pois ela ficava muito agitada. No decorrer do tempo fui me aproximando mais daquela casa, tinha vontade de vê-la, e quando eu passava perto ela estava tomando banho de sol com uma boneca no colo, ninava como se tivesse um bebe de verdade, achei interessante atitude de a menina ser carinhosa, e nesse sentido em tão ela não seria um bicho ou um morto. Descobri que ela queria brincar e a mãe dela e que não percebia ou até não tinha conhecimento sobre as vontades da menina, e que ela só era diferente mais normal em sentimentos. Si fosse aos dias de hoje com certeza a menina tinha evoluído muito, porque as informações sobre portadores têm recursos e qualidade de vida.
           
Deficiente Intelectual;
            O deficiente intelectual necessita aprender a ser e a viver como realmente é: uma pessoa com direitos e deveres, que necessita ser educado de forma significativa a fim de ser capaz de valorizar a visão positiva de si mesmo e estimular seu desejo e confiança para conquistar competência intra e interpessoal Para tanto, é necessário que sejam desenvolvidas diferentes estratégias de ensino aprendizagem de forma a proporcionar ao aluno melhor interação, participação e desenvolvimento deste nas atividades propostas, possibilitando lhe o acesso ao conhecimento.
            Cabe ressaltar, que não existe um método ideal para o direcionamento das atividades para os alunos com deficiência intelectual, de forma alguma se propõe que deva ser utilizada uma gama de métodos indiscriminadamente. Mas sim, refletir constantemente sobre o processo de ensino e aprendizagem, ou seja, sobre a própria prática e sobre as oportunidades de interação do aluno com o objetivo de conhecimento, a fim de avaliar a eficácia das estratégias, bem como propor adaptações ou alteração de procedimentos.
            Conforme consta no Art. 8° da Resolução CNE/CEB n° 02/01, no inciso V, em sala de recursos será realizada a complementação ou suplementação curricular, bem como, no inciso IV, alínea “a”, as classes comuns devem contar com a atuação colaborativa de professor especializado em educação especial.
            A utilização de um único método de ensino pode até contribuir para a construção da aprendizagem de alguns alunos, no entanto, esse mesmo método específico pode se constituir como barreira de aprendizagem para outros. Desta forma, o professor precisa planejar estratégias diversificadas de ensino, pois nem todos os alunos constroem o conhecimento pelos mesmos caminhos, ou seja, os alunos têm diferentes estilos e ritmos de aprendizagem.
            Considerando as dificuldades que os alunos com deficiência intelectual apresentam e a necessidade do desenvolvimento de estratégias de aprendizagem elaborada, que visam atender e facilitar o desenvolvimento de todos os alunos e necessários que o professor ao planejar suas aulas tenha o conhecimento de qual prática está utilizando para atender as diferenças sem excluir a participação do aluno no conteúdo trabalhado em sala.


SCHLÜNZEN, Elisa Tomoe Moriya. Mudanças nas práticas pedagógicas do professor: criando um ambiente construcionista, contextualizado e significativo para crianças com necessidades especiais físicas. Tese (Doutorado em Educação) – PUC – São Paulo,  Acessado 2000. 27/06/2013

Autobiografia

Nasci no ano de 1965, na cidade de Navirai MS, de uma família pobre, mas muito honesta e trabalhadeira composta de cinco filhos, sendo quatro mulheres e um homem. Minha mãe era lavadeira de hotelaria de propriedade de vossos pais, onde esses para não pagar para outrem contrataram os serviços de sua própria filha, ainda naquela época a profissão de meu pai se chamava Barbeiro que hoje nós chamamos de cabeleleiro, meu pai fazia cabelo e barba de seus clientes, não importava a idade e nem o sexo. Sou a filha terceira, diferente de todos os meus irmãos, sou de pele branca, a mais gordinha de todos e traquina. Gostava muito de brincar com meus amigos, brincávamos de bulitas, pedrinhas onde eu costurava os saquinhos com grãos de feijão para jogar melhor, vivia também com estilingue no pescoço, não para matar os passarinhos, mas para afugentá-los dos meus amigos onde esses realmente atiravam para matar. Brincava também de bonecas com minhas amigas e fazíamos casinha com a lenha que minha mãe comprava para queimar no fogão e cozinhar para nós, e quando a lenha ia acabando a mãe ia desmanchando nossa casinha para usar no fogão de lenha que tínhamos em casa. Com o passar dos dias quando a mercadoria de casa ia acabando meu pai dava dinheiro para eu ir comprar num armazém próximo de minha casa, onde nesse lugar tinha uma menina que era diferente de todas as minhas amigas, que ficava sentada numa cadeira confortável, com uma boneca muito bonita na mão e gritava muito, babava e chamava a boneca de mamãe, isso me prendia muito a atenção, pois não entendia o significado daquilo tudo, a achava um bebe grande, mas percebia que era muito amada e bem tratada por seus pais onde esses a protegia de todos e não deixava ninguém se aproximar dela, ou seja, não tínhamos nenhum contato pessoal com ela, somente ficávamos a observá-la por traz do balcão. Com passar dos anos eu continuei a frequentar o armazém sempre que necessário e sempre, por incrível que pareça a filha desse casal continuava sentada e muita das vezes deitada numa cama confortável e adaptada para ela dentro do armazém com sua boneca linda, pois era uma  das coisa que mais me chamava a atenção, sua boneca pois  a minha  na época era muito rebinha e feia. Essa menina se transformou em uma mulher com suas limitações e deficiência mental, mora no mesmo lugar até hoje.