Desde
pequena sempre estive inteirada sobre como o mundo é, sobre o que é certo e o
que é errado, e sobre certos imprevistos pelos quais passamos durante a vida.
Minha mãe sempre se preocupou em desde muito cedo me orientar, para que nada de
mal pudesse me acontecer, e para que eu não tratasse mal a ninguém.
Quando
eu tinha uns oito anos, minha família mudou-se para um bairro central da
cidade, onde conheci um menino, que era nosso vizinho, com algumas
características diferentes das outras crianças, ele era alguns anos mais velho
que eu e tinha Síndrome de Down. Fiz amizade com sua irmã, que era mais nova do
que eu, e sempre brincávamos juntas.
Devido
a proximidade com essa amiguinha, tive também bastante contato com seu irmão,
ele era uma pessoa alegre, vivia brincando o tempo todo, corria de um lado para
o outro, gostava bastante de fingir que tinha uma arma para ficar atirando nos
bandidos, fazia o barulho dos disparos com a boca, esse fato ocorria pois seu
pai era policial. Ele também adorava carrinhos, tinha vários deles.
Quanto
à escola, ele frequentava a APAE, naquela época ainda não havia essa política
de inclusão de crianças deficientes no ensino regular. Ele gostava de estudar,
mas com o tempo foi cansando, acho que porque aprender é um processo muito
árduo, principalmente para essas pessoas que possuem mais dificuldades.
Tiraram-no da escola por um tempo, mas depois o convenceram a voltar.
Bem,
essa é minha história, meu contato não é tão profundo quanto como quem possui
essas pessoas na família, mas deu para perceber que precisam de atenção e
oportunidade, para poderem desenvolver suas habilidades e viver da forma mais
tranquila e natural possível.
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