terça-feira, 13 de agosto de 2013

Memorial

 Inicialmente, oportuno salientar que não frequentei muito a creche, devido a isso não tenho lembranças se tive algum contato ou amizades com crianças com deficiência.
Mas em 1999 ingressei na primeira serie do Ensino Fundamental, na escola publica Marechal Rondon, nas series iniciais lembro-me de não ter nenhuma criança com deficiência, eram todos ditos “normais”, porém, na Quarta-serie em 2002, entrou um menino chamado Marcelo, que tinha deficiência intelectual e alguma deficiência que afetava seu sistema locomotor, não era paraplégico, mas não conseguia se locomover direito.
Acredito que para inseri-lo e fazer a sala se interagir a professora solicitava que algumas crianças o ajudassem com as matérias, sentando ao seu lado, e ajudasse na escrita, nunca era a mesma criança, lembro do afeto que todos tinha por ele. No entanto, eu nunca me aproximei, acho que tinha algum receio, por mais que eu quisesse, deveria ter algum tipo de (pré)conceito interiorizado em mim. Tenho lembranças dele no intervalo era o único momento que tínhamos algum contato, lembro do seu sorriso e dele brincando no pátio da escola, hoje tenho curiosidade em saber que rumo tomou sua vida.
Depois do Marcelo, lembro-me de ter duas meninas, as duas com deficiência que afetava o sistema locomotor, elas não eram da minha sala, nos víamos no intervalo. Tive uma melhor amiga de infância, ela era bem diferente de mim, se interagia com todos e ajudava, brincava com essas meninas, e como não nos desgrudávamos no intervalo eu comecei a ajudava e brincar também, mas nunca conseguia me dar 100%, após esse tempo não tive nenhum contato escolar ou não escolar com pessoas com deficiência, nem no Ensino Médio.

No ano de 2011, quando comecei o Ensino Superior, as meninas de minha sala elaboraram um projeto, Pintando a Cara e Soltando a Voz, resolvi fazer parte do grupo, iria auxiliar quando fossem para Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), foi quando comecei há estudar um pouco sobre o assunto da inclusão, deficiência, entre outros. Percebi que não era um preconceito, mas eu sentia mesmo dó e me emocionava e isso de certa forma me impedia de fazer algo.

Comecei a discordar da forma que estava sendo realizado o projeto, com as pessoas da APAE, não tinha nenhuma fundamentação teoria, as meninas chegavam  pintava o rosto deles, soltava musica e pronto, talvez fosse porque era o inicio do projeto, hoje espero ter mudado.


Após as aulas de Educação Especial, ministradas pelo Professor e Mestre Giovani Ferreira Bezerra, que tem um amplo currículo sobre as questões de educação especial e inclusiva, comecei a refletir sobre de que forma vem acontecendo o processo de inclusão em Naviraí e como se estabelece as relações desses deficientes “inclusos” perante uma sociedade exclusiva por falta de conhecimento e até mesmo preconceito. E o que seria uma inclusão digna?. Questões essas que pretendo responder ao longo das aulas e do curso de extensão.

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