terça-feira, 13 de agosto de 2013

MEMORIAL

Nasci em 18 de outubro de 1992, no Hospital e Maternidade Santa Ana, na cidade de Naviraí, onde passei uma parte de minha infância. Quando estava quase completando quatro anos de idade meus pais se separaram e minha mãe foi trabalhar em uma fazenda chamada, União Trento, no município de Itaquiraí, onde conheceu meu padrasto com quem teve dois filhos. Toda a infância sempre brinquei sozinha, sem muito contato com as outras crianças, pois sempre morei em lugares que não tinha a presença de nenhuma criança por perto. Moramos um ano no Paraguai em uma fazenda chamada Cari, lá conheci um homem que todos lá chamavam de mudinho e eu como era criança assim o também chamava, pouco me lembro dele, mas sei que ele trabalhava lá cuidado do pomar, passava todos os dias em frente de minha casa e me dava uma fruta, não sei como o agradecia, mas sei que assim fazia.
Minha avó paterna adquiriu a deficiência visual gradativamente, o fato de ela ter diabetes acabou desencadeando o surgimento de uma catarata esta que ocasionou a perda total de sua visão. Recordo-me que neste período eu saía com ela para todo canto, ia passear na casa de parentes, fazia compras e sempre passava minhas férias escolares em sua casa a qual eu amava. Ela sabia onde ficava cada pertence dela e cada móvel da casa, se alguém retirasse do lugar já sentia falta e ficava bem brava. Quando eu estava fazendo alguma travessura ela sempre descobria e sentia de longe quando alguém que ela conhecia estava se aproximando.
Minha trajetória escolar se iniciou antes mesmo de eu frequentar a escola, pois aprendi a ler e escrever em casa sob os ensinamentos de minha mãe. Entrei na primeira série aos sete anos, porque perdi um ano por falta de vaga. Na escola fui adiantada de série por sempre terminar primeiro que todos e ficar conversando com os colegas, a professora percebendo o fato logo comunicou a coordenadora sobre uma possível aceleração.
Cursei todo meu Ensino Fundamental e parte do Ensino Médio na Escola Estadual Prof. José Juarez Ribeiro de Oliveira, no município de Itaquiraí- MS. Estudava no período vespertino, ia todos os dias de ônibus, porque na época morava em uma fazenda que fica a cerca de 25 km da cidade, chamada de União Tsustida I. Neste período conheci um rapaz que estuda na escola chamado Rogério, ele era deficiente físico, andava com o auxílio de uma bicicleta equipada, eu o olhava com um sentimento de dó no início, tinha um certo receio de se aproximar dele, até que um dia percebi que apesar de sua deficiência ele era uma pessoa normal, sabia conversar, brincar com a gente. Até o período que permaneci na escola me lembro da presença dele por lá.
Ao final do ano de 2009, viemos morar novamente em Naviraí-MS, vim um pouco contrariada, pois queria terminar meu Ensino Médio na escola em que eu estudava, junto com meus colegas e professores que eu tanto amava, mas mesmo assim tive que vir. Chegando aqui logo fui atrás de cursos para me capacitar. Fui matriculada no período matutino na Escola Estadual Eurico Gaspar Dutra, minha turma tinha cerca de uns 50 alunos e era um aperto só. Não me recordo nesta época de nenhuma pessoa deficiente na sala nem na escola toda.
Por volta de Junho do mesmo ano fui informada sobre um processo para seletivo Jovem Aprendiz[1] que iria ter no SENAI, me inscrevi no curso de Assistente Administrativo e fui fazer a prova que continha conteúdos de conhecimentos em matemática, português e geral, por tirar uma boa nota e fui classificada para a próxima etapa que era a de entrevista e seleção nas empresas, a minha foi a JBS. Fui selecionada e iniciei as atividades tanto na empresa quanto no SENAI em 18 de Agosto de 2010. Por conta disso tive que passar a estudar o terceiro ano à noite e consequentemente sair do cursinho pré-vestibular. Na empresa conheci uma moça muito legal e simpática que era deficiente auditiva e sempre ia ao setor em que eu trabalhava conversar comigo, algumas coisas eu entendia por gestos e outras vezes ela escrevia no papel para eu ler.
No final do ano de 2010 fiz o ENEM e ingressei na UFMS/CPNV por meio do SISU, e nesta etapa a pessoa com deficiência com quem tive contato foi o Cido, discente do curso de Ciências Sociais do mesmo campus, de inicio fiquei meio curiosa sobre como ele fazia, e fui me admirando cada vez mais com ele a partir do momento que fui o conhecendo.
Hoje no curso superior sei um pouco mais sobre as deficiências, não o bastante, mas o necessário para saber que é preciso saber como agir diante das diversas situações que estão por surgir. Passei a ter conhecimento sobre as diversas formas de deficiência e síndromes existentes, algumas causas, características das mesmas e a partir daí passei a ter uma certeza, que como uma futura pedagoga é preciso que eu aprofunde cada vez mais meus conhecimentos sobre o assunto, pois somente a formação inicial não é suficiente para que se trabalhe com alunos com deficiências, tenho em mente que é preciso inovar nas práticas e explorar os diversos recursos disponibilizados para garantir o aprendizado destas crianças, que são como todas as outras, possui as mesmas capacidades e potencialidades e preciso de fato fazer acontecer a inclusão, não ficando somente no discurso e sim partir para a prática, buscando garantir que aconteça um ensino de qualidade e igual para todos levando em conta as especificidades de cada um.



[1] Trata-se de um programa governamental amparado pelas leis nº 10. 097/00 e 11.180/05 as mesmas determinam que empresas de médio e grande porte contratem jovens entre 14 e 24 anos, para capacitação profissional (prática e teórica), cumprindo as cotas que variam de 5% a 15% dependendo do número de funcionários efetivos qualificados na Empresa.

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