Meu
primeiro contato com uma pessoa com deficiência foi a mais ou menos oito anos
quando me mudei para a cidade de Itaquiraí onde resido ate hoje.
Meus
vizinhos tinham um filho com Síndrome de Down, estavam passando em frente a
minha casa, quando notei que não se tratava de uma criança comum, não só pela
deficiência, mas também pelo amor e carinho que os pais o dedicavam.
Amor que
também o prendia e o sufocava não nego que fiquei com medo de principio, pois
ele agia de forma agressiva, pois começava a correr e o pai na tentativa de segurar-lo,
corria e o pegava pelo braço, era quando ele começava a se debater e a tentar
agredir, penso que de forma a querer se soltar e correr livremente.
Com o
tempo pude entender o motivo, era proteção de mais daqueles pais em relação ao
filho, o medo de que a sociedade o maltratasse pela sua deficiência, e então
estando na presença de outras pessoas não sabia como agir.
Super proteção
que de certo modo atrapalhou seu desenvolvimento diante a sociedade, prejudicando
talvez uma vida ate certo ponto normal na maneira do possível, pois sua
convivência era somente com os pais e familiares.
Então diante
de tudo isso pude notar o amor e o carinho que passava nos olhos daquela
criança, era tão doce e tão singelo a maneira com que olhava sua mãe, que me
causou certo arrepio, por eu na ignorância ter tido medo de um ser tão indefeso
e especial.
Hoje
quando o vejo, agora um adolescente, ainda consigo notar aquele olhar de quando
ainda era criança, a inocência nos seus gestos e sinto uma imensa admiração
pela sua historia de vida e pela família que agora aprendeu a lidar de uma
maneira melhor e a ajudar o filho fazendo com que aprenda a viver em sociedade.
E os pais
entenderam depois de muita ajuda que seu filho poderia sim, trabalhar, estudar,
e ter uma vida normal, claro que sabendo as limitações dele, assim como
qualquer um neste nosso mundo.
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