terça-feira, 13 de agosto de 2013

MEMORIAL

            Lembro-me quando mudei de casa. Não gostei o que era natural, pois deixara no endereço antigo, muitos amigos na vizinhança.
            O tempo passou e surpreendentemente no novo endereço a nossa rua era muito animada, pois havia muitas crianças e a grande maioria da mesma idade. Era tempo em que os carros eram raros (a cidade ainda era pequena), e o lugar preferido para nossas brincadeiras era a rua.
            Como a maioria das crianças da rua estudava no período matutino, assim que chegávamos da escola, almoçávamos, ajudávamos nos afazeres domésticos e tarefas escolares (os irmãos mais velhos ajudavam aos mais novos) e o restante da tarde... A rua que nos aguardasse.
            Brincávamos de queimada, pique - esconde, e é claro, nossa brincadeira favorita: Bets.
            Eu particularmente fiz amizade com uma menina muito bonita e carinhosa que embora demorasse a entender os jogos de cartas (pife, rouba-monte), de memória, era expert na Bets. Éramos uma dupla infalível.
            Certo dia peguei minha mãe conversando com a mãe de minha amiga e nessa conversa falavam das dificuldades que ela tinha na escola e os remédios que sempre tomava.
            Naquela época não compreendi muita coisa, a verdade é que não estava preocupada com isso. Gostava dela e isso é que importava. Só me lembro de ter perguntado à minha mãe se ela estava doente já que estava tomando remédios. Minha explicou que há pessoas que mesmo não estando doente precisam tomar remédios. Foi assim, desta forma singela que ela me explicou. E bastou para mim.
            A vida continuou. Nós duas crescemos, nos mudamos e cada uma seguiu sua vida.
            Sei por informações de sua mãe, que atualmente mora em outro Estado, está casada e constituiu família.

            Hoje sei que tive o privilégio de conviver com uma pessoa com deficiência intelectual, que além de muito querida ajudou a escrever a linha do tempo da minha vida.

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