terça-feira, 13 de agosto de 2013

Memorial


             Eu trabalho com criança desde 2007. Sempre gostei de trabalhar com grupos de criança, mas nunca quis ser professora, porque eu achava que o modelo que eu concebia de professor não era aquilo que eu queria ser. Eu queria ser diferente. E com o tempo eu fui vendo que eu poderia vir a ser professora. Talvez uma professora um pouco diferente do comum. Será? E aqui estou estudando para ser uma.
            Não tenho tantas experiências a respeito de deficiência, mas posso dizer que é muito gratificante poder falar sobre este assunto.
Durante trinta e dois anos convivo com minha tia que teve paralisia infantil, e sempre esteve presente em todos os momentos da minha vida, ou em quase todos, para mim ela é uma eterna criança, adora presentes principalmente bonecas e também sozinha costura as próprias roupinhas, cresci vendo ficar horas e até perder o sono brincando, e até hoje isso acontece, ela não ouve,não fala,anda com  dificuldade,sempre com a ajuda de minha mãe,e minha outra tia,que juntas cuidam  dela. Margarida, este é seu nome, pessoa carinhosa, feliz, mesmo com suas dificuldades, adora criança principalmente as pequenas,acho que ela se identifica,pois com elas pode brincar.
           Lembro-me de um menino com deficiência física, trabalhei três anos em sua casa, Yago, hoje ele esta com 18 anos, um menino esperto muito inteligente,era um exemplo na escola,apesar de tantas limitações,mas com a ajuda de muitos ele esta ai,se superando.
            Fui funcionária pública durante cinco anos, tive o prazer de trabalhar em três escolas de Campo Grande, sendo uma de tempo integral, onde era responsável pela pré-escola, no cargo de Auxiliar de serviços diversos,tendo oportunidades de acompanhar várias crianças com diversos tipos de deficiência,auxiliando as idas ao banheiro,ou monitorando na hora do intervalo para  que nada acontecesse à elas. Mas infelizmente a oportunidade de conhecê-las melhor, não aconteceu, apesar de sempre me procurarem para ficar perto delas, não sei como mas, eu as entendia, conheci as famílias, e pude perceber que eram unidas e bastante presentes na vida daquelas crianças,  isso é muito importante,para que seu desenvolvimento aconteça.
            Não tinha nenhum conhecimento de como lidar com crianças com necessidades especiais, tive muitas dificuldades, mas ao mesmo tempo foi um desafio.
            E ainda continua sendo, hoje trabalho em uma biblioteca pública acompanhando de uma cadeirante, escritora, faz Graduação em Letras também na Unigran EAD,e hoje esta trabalhando em um projeto Literário,ela teve paralisia infantil,uma pessoa muito inteligente e difícil de lidar em certos momentos,mas nada que o tempo não me ensine.
            Eu acredito em uma educação para todos, e com um ensino especializado, mas não se consegue implantar uma opção de inserção tão revolucionária sem enfrentar um desafio ainda maior, o que recai sobre o fator humano. Os recursos físicos e os meios materiais para a efetivação de um processo escolar de qualidade cedem sua prioridade ao desenvolvimento de novas atitudes e formas de interação, na escola, exigindo mudanças no relacionamento pessoal e social e na maneira de se efetivar os processos de ensino e aprendizagem. Por isso é necessário, a formação do pessoal envolvido com a educação,nesse caso sendo de  fundamental importância, assim como a assistência às famílias, enfim, uma sustentação aos que estarão diretamente implicados com as mudanças, é condição necessária para que estas não sejam impostas, mas imponham-se como resultado de uma consciência cada vez mais evoluída de educação e de desenvolvimento humano.

            Sendo assim venho novamente ressaltar que foi um desafio, continua sendo, e que cada dia mais estarei me preparando para novas experiências,que venham sempre me satisfazer,e me proporcionar alegrias,que foram e serão muito importantes para mim,e guardarei sempre em minha memória.

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