Na minha infância não convivi com
crianças ou adultos que tivessem alguma deficiência e eram poucas as crianças
especiais que frequentavam a escola como hoje acontece. Essas crianças
geralmente frequentavam a APAE e até mesmo ficavam isolados em casa sem ter
contato social.
Já na minha adolescência me mudei e
nesse lugar fiz amizade com um vizinho deficiente visual, estudávamos na mesma
escola no período noturno, eu, meu irmão e nosso amigo voltávamos para casa juntos,
ajudando a guia-ló, embora sua autonomia de andar sozinho pela cidade apenas
batendo as mãos para ouvir os sons e assim perceber se estava perto da calçada
ou no meio da rua. Às vezes nos perguntávamos se ele não enxergava nem um
pouquinho, pois admirávamos sua independência.
Meu amigo não se identifica muito
com o braile, ele sempre preferia a leitura realizada por outra pessoa. Certa
vez perguntei para ele qual era seu nível de cegueira, ele me respondeu que via
apenas vultos com sua visão esquerda.
A inclusão veio para tornar essas
pessoas existentes e criou oportunidade de desenvolver habilidades que até
mesmo a família não consegue enxergar nessas crianças. Ainda existem
preconceito e discriminação em relação a pessoas especiais, porém a sociedade,
as crianças estão mais conscientes de que todos são iguais mesmo nas diferenças.
Diferentemente da sociedade de nossos pais que via essas pessoas apenas como
seres incapazes de convívio social, pois a própria família na defensiva o excluía
do mundo.
Hoje por trabalhar em uma escola da
rede municipal tenho mais contato com crianças de diversas dificuldades e posso
observar que na minha época essas crianças não tinham acompanhamento e ficavam
à mercê do descaso e da falta de capacitação profissional e estrutura para que
os professores pudessem trabalhar. Vejo que hoje em dia a inclusão é mais
divulgada e trabalhada, já melhorou bastante, meu amigo, por exemplo, se formou
em direito pala uems e hoje estuda o curso de ciências sociais na ufms. Isso é
um grande avanço que precisa continuar acontecendo.
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