Comecei a
trabalhar com crianças especiais em 1990 na escola Marechal Rondon fazendo
substituições, em 1991 foi convidada para fazer substituições na APAE a qual eu
trabalhei 20 anos com crianças de varias patologias e graus diferentes. Posso
dizer que a maioria das pessoas não imagina o quanto podemos aprender com estas
crianças, às vezes estamos tão presos a perfeição das formas físicas e aos
aspectos materiais que esquecemos de observar a riqueza oculta na sua essência.
Eu tive a felicidade de trabalhar com crianças autistas dentre elas me
apaixonei por um aluno que me ensinou muito a maneira de ver o mundo de outra
forma. Aprender que a alegria de viver, a força interior, a determinação, a
vontade de ser feliz e a capacidade de adaptação são mais evidentes nessas
crianças do que nos ditos “normais”. Todos os obstáculos vencidos na busca da
realização de um objetivo eram demonstrados através de explosões de alegrias e
felicidade. A criança com necessidades especiais principalmente autistas apesar
de viver num mundo desconhecido por nós tem e sente as mesmas sensações que nos
temos. As crianças com deficiências auditiva as quais também trabalhei apesar
de não ter conhecimento com libras, costumam adorar dançar, por exemplo: Sente
o som e acompanha o ritmo da musica pela vibração do chão. Além disso, ainda
são capazes de participar de coreografia de danças folclórica, como se
estivesse ouvindo perfeitamente o som da musica. Já as crianças com síndrome de
down amam fazer apresentações em públicos participando de peças teatrais. Eles
se dedicam muito nos ensaios para realizar um trabalho quase profissional
representando com grande emoção e
expressão de verdadeiros artistas. As crianças com necessidades físicas
(paralisia cerebral), maioria cadeirante, são capazes de participar de
competição esportiva adaptada as suas condições físicas. Eles aprendem as
regres com muita facilidade e buscam se aprimorar no desempenho das atividades
com muita garra e determinação. Recordo-me neste momento do aluno Fernando
totalmente dependente de ajuda para superar suas necessidades físicas mesmo
assim participava de todas as atividades da aula sempre se destacando nas
competições de pipas. Essas pessoas pode nos ensinar lições valiosas como
respeito, dignidade, força, determinação. Perseverança, compreensão, compaixão
gratidão e principalmente amor. Infelizmente uma grande parte da sociedade
prefere evitar um convívio mais próximo como pessoas com necessidades
especiais. Na verdade essa falta de um contato mais direto seja medo do
desconhecido, desinteresse ou indiferença impede o aumento dos ganhos recíprocos
e da mútua aprendizagem que esses relacionamentos podem oferecer. Acredito que um
dos principais papéis dos portadores de necessidades especiais é o de nos
ensinar a enxergar de verdade e a valorizar o conteúdo e não apenas a forma.
Eles são como as flores que mesmo nascendo e crescendo em vasos irregulares,
conseguem nos presentear com a beleza de cores e o aroma de seu perfume.
Naviraí-MS,
26 de Agosto de 2013
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