Eu tinha por volta de 6 anos quando a família mudou-se para a mesma rua,
era uma família grande de 10 irmãos, uma escadinha e entre eles o caçula de 7
anos por nome João parecia ser diferente dos demais. Sua mãe uma mulher muito
trabalhadeira tinha em si a culpa pelo problema do filho, ela demonstrava muito
carinho por ele, acho até que era a única que compreendia sua situação e
aceitava de forma natural.
Para nós, crianças que brincávamos por ali com os outros irmãos não
entendíamos o que havia de “errado” com ele tinha, minha irmã e eu tinha apenas muito medo e nem chegávamos
perto, já por conselho de nossa mãe.
O João apresentava um problema físico e mental, não falava, e tinha
acabado de aprender a andar, ele era muito irritado e eu nem chegava perto.
Todos da rua conheciam ele como “retardado” ou com algum defeito, pior ainda é
que acreditavam que por sua ter tido tantos filhos é claro que um sairia
“assim”.
Alguns anos depois não sei quantos. O João começou a freqüentar a “escola
especial”, nessa época ele já falava porem sem nexo , não sabia o que estava
dizendo e mexia com todos da rua.
Hoje permaneço na mesma rua e ele também, infelizmente sua mãe faleceu a
muitos anos, ele me parece triste e desorientado, ainda freqüenta a “escola
especial”, e uma irmã é responsável por seus cuidados. É muito triste
pensar na falta de conhecimento que
tínhamos na época
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